Este é o blog de apoio para o curso "A obra de Machado de Assis", ministrado pelo prof. Hélio Guimarães no 2o semestre de 2008 na FFLCH-USP.
Aqui você encontrará avisos, materias bibliográfico e informações sobre o andamento do curso.
Eis o programa do curso:
PROGRAMA LITERATURA BRASILEIRA IV
A OBRA DE MACHADO DE ASSIS
Prof. Hélio de Seixas Guimarães
DLCV/FFLCH/USP, 2o semestre de 2009
Descrição e objetivos
O curso trata da obra ficcional de Machado de Assis a partir da leitura, análise e interpretação dos romances Ressurreição (1872), Memórias póstumas de Brás Cubas (1880/1881), Dom Casmurro (1899/1900) e Esaú e Jacó (1904).
A leitura desses textos, produzidos em diferentes momentos da carreira do escritor, tem como objetivos:
1) oferecer uma visão abrangente da obra e dos processos de criação de Machado de Assis;
2) examinar como a obra machadiana se articula com a produção ficcional contemporânea ao escritor, dialogando e produzindo rupturas com os projetos românticos de constituição e representação da nacionalidade por meio da literatura;
3) salientar continuidades e descontinuidades entre a ficção pré- e pós-Brás Cubas, buscando caracterizar os temas recorrentes e os procedimentos narrativos característicos da ficção de cada uma das fases;
4) compreender o conjunto da obra a partir de uma abordagem sócio-histórica.
Embora gire em torno do romance, o curso também tratará de crônicas e contos do autor, tais como “O relógio de ouro” (1873), “Teoria do medalhão” (1881), “Missa do galo” (1894) e “Pai contra mãe” (1906).
Roteiro das aulas
1. Introdução a Machado de Assis: alguns temas e procedimentos do ficcionista
2. Ressurreição: reação de Machado de Assis ao romantismo
1. Caracterização do romance: reação ao romantismo, romance de caracteres. 2. A recepção da crítica contemporânea. 3. O projeto romanesco de Ressurreição e o projeto literário de Machado de Assis expresso em “Instinto de Nacionalidade” 4. A emergência da dúvida, da indecisão e do ciúme como temas. 5. De Ressurreição a Helena
3. Memórias póstumas de Brás Cubas: humor, sátira e realismo
1. As primeiras leituras e as filiações estrangeiras: o humor. 2. As fontes estrangeiras: Sterne e a sátira menipéia. 3. As teorias explicativas da virada: Lúcia Miguel-Pereira, Augusto Meyer, Barreto Filho, Roberto Schwarz. 4. Um novo narrador e um novo regime de comunicação com o leitor. 5. A crítica de Machado sobre O primo Basílio, de Eça de Queirós. 6. Memórias póstumas e O mulato, de Aluísio Azevedo. 7. Caracterizações do realismo machadiano.
4. Dom Casmurro: ambigüidades do ciúme e do paternalismo
1. Um romance sobre ambigüidades e lacunas. 2. A recepção crítica contemporânea. 3. Novas interpretações do romance: Helen Caldwell, John Gledson, Roberto Schwarz e Alfredo Bosi. 4. O narrador sob suspeita. 5. A tematização do ciúme associado à posição social. 6. A leitura do romance a partir das divergências da crítica.
5. Esaú e Jacó: ficção, história e a escrita radical de Machado de Assis
1. Caracterização do romance: incerteza e indecisão como temas e procedimentos narrativos. 2. O estatuto do narrador. 3. A leitura do romance como testamento estético de Machado de Assis. 4. Abolição da escravatura e fim do Império: história e ficção.
Metodologia
Aulas expositivas; discussão sobre textos lidos dentro e fora do horário de aula; seminários.
Avaliação
Prova e/ou trabalho final de aproveitamento.
Bibliografia básica
BOSI, Alfredo et al. Machado de Assis. São Paulo, Ática, 1982. Machado de Assis — O Enigma do Olhar. São Paulo, Ática, 1999. ______ Brás Cubas em três versões. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
CALDWELL, Helen. O Otelo brasileiro de Machado de Assis: um estudo de Dom Casmurro. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.
CANDIDO, Antonio. “Esquema de Machado de Assis”. In: Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1970.
FAORO, Raymundo. Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio. São Paulo: Nacional,1976.
GLEDSON, John. Machado de Assis: ficção e história. Rio de Janeiro, 1986. _____ Machado de Assis: impostura e realismo – uma reinterpretação de Dom Camurro. São Paulo: Cia. das Letras, 1999.
GOMES, Eugênio. Machado de Assis. Rio de Janeiro: São José, 1958.
GUIMARÃES, Hélio de Seixas. Os leitores de Machado de Assis – o romance machadiano e o público de literatura no século 19. São Paulo: Nankin/Edusp, 2004.
MAGALHÃES JÚNIOR, R. Vida e Obra de Machado de Assis (4 volumes), Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Brasília: INL, 1981.
MEYER, Augusto. Machado de Assis. 3a ed. Rio de Janeiro, Presença/Instituto Nacional do Livro, 1975. ________ “O romance machadiano”, in: BARBOSA, João Alexandre (org.). Textos críticos: Augusto Meyer. São Paulo: Perspectiva, 1986. ––––––– “De Machadinho a Brás Cubas”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, 2006, pp. 409-417.
PEREIRA, Lúcia Miguel, Machado de Assis (Estudo Crítico e Biográfico), 4ª ed. São Paulo, Gráfica Editora Brasileira Ltda., 1949.
SCHWARZ, Roberto. Ao vencedor as batatas - forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro, 4ª edição. São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1992. Um Mestre na Periferia do Capitalismo/Machado de Assis. São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1990. Duas Meninas. São Paulo, Companhia das Letras, 1997. ______ “A viravolta machadiana”. In: Novos Estudos Cebrap, 69, julho de 2004, pp. 15-34. ______ “Leituras em competição”. In: Novos Estudos Cebrap, 75, julho de 2006.
SOUSA, José Galante de. Bibliografia de Machado de Assis, Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura/ Instituto Nacional do Livro, 1955. Fontes para o estudo de Machado de Assis, Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura/ Instituto Nacional do Livro, 1958.
TERESA – revista de literatura brasileira 6/7. São Paulo: USP, Editora 34, Imprensa Oficial, 2006.
Bibliografia específica sobre os romances
Ressurreição
SCHWARZ, Roberto. Ao vencedor as batatas. CALDWELL, Helen. O Otelo brasileiro de Machado de Assis, pp. 17-42. SANTIAGO, Silviano. “Jano, janeiro”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, pp. 429-452.
Memórias Póstumas de Brás Cubas e a segunda fase
MEYER, Augusto. “De Machadinho a Brás Cubas”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, pp. 409-417. ROUANET, Sergio Paulo. “A forma shandiana: Laurence Sterne e Machado de Assis”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, pp. 318-338. SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo: Machado de Assis. FACIOLI, Valentim. Um defunto estrambótico – análise e interpretação das Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Nankin, 2002. BOSI, Alfredo. “Brás Cubas em três versões”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, pp. 279-317.
Dom Casmurro
CALDWELL, Helen. O Otelo brasileiro de Machado de Assis. SANTIAGO, Silviano. “Retórica da verossimilhança”. In: Uma literatura nos trópicos. 2a. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, pp. 27-46. GLEDSON, John. Machado de Assis: impostura e realismo – uma reinterpretação de Dom Camurro. SCHWARZ, Roberto. “A poesia envenenada de Dom Casmurro”. In: Duas meninas, p. 7-41. BOSI, Alfredo. “O enigma do olhar”. In: Machado de Assis: o enigma do olhar, pp.7-72. PASSOS, Gilberto Pinheiro. Capitu e a mulher fatal – análise da presença francesa em Dom Casmurro. São Paulo: Nankin, 2003.
Esaú e Jacó
GOMES, Eugênio. “O testamento estético de Machado de Assis”. In: Machado de Assis – Obra Completa, vol. 3. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, pp. 1097-1120. BAPTISTA, Abel Barros. “Autor defunto”. In: A formação do nome: duas interrogações sobre Machado de Assis. Campinas: Editora da Unicamp, 2003, pp. 135-160. EULALIO, Alexandre. “O Esaú e Jacó na obra de Machado de Assis: as personagens e o autor diante do espelho”. In: Escritos. Campinas, Ed. da Unicamp; São Paulo, Ed. Unesp, 1992, pp. 347-365. GLEDSON, John. “Esaú e Jacó”. In: Machado de Assis: Ficção e história, pp. 161-214.
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