sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

INSTRUÇÕES PARA RECUPERAÇÃO

A menos que já tenhamos combinado algo diferente, a recuperação consistirá numa análise do romance "Esaú e Jacó", na qual você leve em conta os textos críticos de Eugênio Gomes, Alexandre Eulalio e John Gledson indicados no roteiro de leituras do curso.
O trabalho deverá ser entregue até 8 de fevereiro de 2010, uma segunda-feira, na secretaria do DLCV.
Qualquer dúvida, escreva para hsg@usp.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ATIVIDADE EM 27/11, CONCLUSÃO DO CURSO E ENTREGA DOS TRABALHOS

Amanhã, 27/11, sexta-feira, não haverá aula.
O monitor do curso, Rogério Fernandes, estará à disposição, no horários das aulas, na sala 169, para tratar do encaminhamento do trabalho final com os alunos interessados.

Na quinta-feira, 3/12, quinta-feira, trataremos do conto "Pai contra mãe", com que fecharemos o curso.

A entrega dos trabalhos finais deverá ser feita pessoalmente, em 4/12, sexta-feira, das 9h30 às 10h30 na sala 169. Os alunos deverão assinar lista na entrega do trabalho.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Comentário de Roberto Schwarz a respeito do romance Ressurreição (1872), de Machado de Assis:

“Ressurreição (1872) é a história de um casamento bom para todos, que não se realiza devido aos ciúmes infundados do noivo. Nos três romances seguintes, trata-se da desigualdade social. As heroínas são moças nascidas abaixo de seu merecimento, e tocará às famílias elevá-las, reparando o “equívoco” da natureza. A questão é tratada aprovativamente, no limite da grosseria, em A mão e a luva (1874); na perspectiva da suscetibilidade em Helena (1876), e com muito desencanto em Iaiá Garcia (1878). A despeito desta evolução o denominador comum dos quatro livros é a afirmação enfática da conformidade social, moral e familiar, que orienta a reflexão sobre os destinos individuais. Uma reflexão que não amplia nem generaliza as contradições em que assenta, mas ao contrário, as considera enquanto caso particular, que pede remédio também particular.O que falta a Félix, o noivo indeciso de Ressurreição, é a energia necessária para constituir família e tornar-se membro prestante da sociedade. A análise – essa força dissolvente – não vem aplicada ao instituto do casamento, mas às intermitências da vontade da personagem, que são lamentadas. Já Guiomar, em A mão e a luva, adapta-se com sagacidade louvável aos sentimentos de uma baronesa, a quem preza grandemente e que acabaria por adotar. São os cálculos e a maleabilidade da moça a razão de ser do romance. Em Helena, a heroína, depois de grande esforço para se fazer aceita, prefere a morte à idéia de ser mal vista pela família de cuja bondade depende. E mesmo a orgulhosa Estela, uma agregada cuja, “taça de gratidão estava cheia”, não prolonga o seu sentimento da independência em restrições à autoridade e as instituições que a diminuem . Seu mérito está no decoro que soube guardar em condições adversas. Noutras palavras, a família, de preferência abastada, é a intocável depositária da ordem e do sentido da vida.”
Schwarz, Roberto. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Duas cidades; Editora 34, 2000, pp. 88-89.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

1a AVALIAÇÃO EM 25/9

A primeira avaliação de LB IV será feita no dia 25/9, sexta-feira.
Serão duas ou três questões, para serem respondidas por escrito durante o horário da aula.
A avaliação tratará dos textos analisados nessa primeira parte do curso ("O relógio de ouro", "Ressurreição", "Notícia da atual literatura brasileira - Instinto de Nacionalidade" e o início de "Memórias póstumas de Brás Cubas", além dos textos críticos sobre "Ressureição", indicados no item 2 do Roteiro de Leituras). Tratará também das questões propostas e discutidas nas aulas.
Será permitida consulta.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Caros,



Eis os atalhos para os textos de Machado de Assis que serão discutidos nas próximas aulas:



Do site domínio público http://portal.mec.gov.br/machado/

Relógio de ouro http://portal.mec.gov.br/machado/arquivos/html/contos/macn002.htm#orelogiodeouro

Ressurreição

http://portal.mec.gov.br/machado/arquivos/html/romance/marm01.htm

Instinto de nacionalidade

http://portal.mec.gov.br/machado/arquivos/html/critica/mact25.htm



Do site da Universidade federal de Santa Catarina: http://www.machadodeassis.ufsc.br/

Relógio de ouro

http://www.machadodeassis.ufsc.br/obras/contos/CONTO,%20Historias%20da%20Meia-Noite,%201873.htm#orelogiodeouro

Ressurreição

http://www.machadodeassis.ufsc.br/obras/romances/ROMANCE,%20Ressurreicao,1872.htm

Instinto de nacionalidade

http://www.machadodeassis.ufsc.br/obras/criticas/CRITICA,%20Noticia%20da%20atual%20literatura%20brasileira,%201873.htm

AVISO

Não haverá aula na sexta-feira, 21/8, porque nessa data participarei de um congresso fora de São Paulo.
Retomaremos o curso na quinta-feira, 27/8, tratando do conto "O relógio de ouro". Peço que já providenciem o romance "Ressurreição", bem como o texto crítico "Instinto de nacionalidade".
Até dia 27.
Hélio

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Bem-vindos! Vejam o programa do curso.

Este é o blog de apoio para o curso "A obra de Machado de Assis", ministrado pelo prof. Hélio Guimarães no 2o semestre de 2008 na FFLCH-USP.
Aqui você encontrará avisos, materias bibliográfico e informações sobre o andamento do curso.

Eis o programa do curso:

PROGRAMA LITERATURA BRASILEIRA IV
A OBRA DE MACHADO DE ASSIS
Prof. Hélio de Seixas Guimarães
DLCV/FFLCH/USP, 2o semestre de 2009

Descrição e objetivos
O curso trata da obra ficcional de Machado de Assis a partir da leitura, análise e interpretação dos romances Ressurreição (1872), Memórias póstumas de Brás Cubas (1880/1881), Dom Casmurro (1899/1900) e Esaú e Jacó (1904).
A leitura desses textos, produzidos em diferentes momentos da carreira do escritor, tem como objetivos:
1) oferecer uma visão abrangente da obra e dos processos de criação de Machado de Assis;
2) examinar como a obra machadiana se articula com a produção ficcional contemporânea ao escritor, dialogando e produzindo rupturas com os projetos românticos de constituição e representação da nacionalidade por meio da literatura;
3) salientar continuidades e descontinuidades entre a ficção pré- e pós-Brás Cubas, buscando caracterizar os temas recorrentes e os procedimentos narrativos característicos da ficção de cada uma das fases;
4) compreender o conjunto da obra a partir de uma abordagem sócio-histórica.
Embora gire em torno do romance, o curso também tratará de crônicas e contos do autor, tais como “O relógio de ouro” (1873), “Teoria do medalhão” (1881), “Missa do galo” (1894) e “Pai contra mãe” (1906).

Roteiro das aulas
1. Introdução a Machado de Assis: alguns temas e procedimentos do ficcionista

2. Ressurreição: reação de Machado de Assis ao romantismo
1. Caracterização do romance: reação ao romantismo, romance de caracteres. 2. A recepção da crítica contemporânea. 3. O projeto romanesco de Ressurreição e o projeto literário de Machado de Assis expresso em “Instinto de Nacionalidade” 4. A emergência da dúvida, da indecisão e do ciúme como temas. 5. De Ressurreição a Helena

3. Memórias póstumas de Brás Cubas: humor, sátira e realismo
1. As primeiras leituras e as filiações estrangeiras: o humor. 2. As fontes estrangeiras: Sterne e a sátira menipéia. 3. As teorias explicativas da virada: Lúcia Miguel-Pereira, Augusto Meyer, Barreto Filho, Roberto Schwarz. 4. Um novo narrador e um novo regime de comunicação com o leitor. 5. A crítica de Machado sobre O primo Basílio, de Eça de Queirós. 6. Memórias póstumas e O mulato, de Aluísio Azevedo. 7. Caracterizações do realismo machadiano.

4. Dom Casmurro: ambigüidades do ciúme e do paternalismo
1. Um romance sobre ambigüidades e lacunas. 2. A recepção crítica contemporânea. 3. Novas interpretações do romance: Helen Caldwell, John Gledson, Roberto Schwarz e Alfredo Bosi. 4. O narrador sob suspeita. 5. A tematização do ciúme associado à posição social. 6. A leitura do romance a partir das divergências da crítica.

5. Esaú e Jacó: ficção, história e a escrita radical de Machado de Assis
1. Caracterização do romance: incerteza e indecisão como temas e procedimentos narrativos. 2. O estatuto do narrador. 3. A leitura do romance como testamento estético de Machado de Assis. 4. Abolição da escravatura e fim do Império: história e ficção.

Metodologia
Aulas expositivas; discussão sobre textos lidos dentro e fora do horário de aula; seminários.

Avaliação
Prova e/ou trabalho final de aproveitamento.

Bibliografia básica
BOSI, Alfredo et al. Machado de Assis. São Paulo, Ática, 1982. Machado de Assis — O Enigma do Olhar. São Paulo, Ática, 1999. ______ Brás Cubas em três versões. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
CALDWELL, Helen. O Otelo brasileiro de Machado de Assis: um estudo de Dom Casmurro. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.
CANDIDO, Antonio. “Esquema de Machado de Assis”. In: Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1970.
FAORO, Raymundo. Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio. São Paulo: Nacional,1976.
GLEDSON, John. Machado de Assis: ficção e história. Rio de Janeiro, 1986. _____ Machado de Assis: impostura e realismo – uma reinterpretação de Dom Camurro. São Paulo: Cia. das Letras, 1999.
GOMES, Eugênio. Machado de Assis. Rio de Janeiro: São José, 1958.
GUIMARÃES, Hélio de Seixas. Os leitores de Machado de Assis – o romance machadiano e o público de literatura no século 19. São Paulo: Nankin/Edusp, 2004.
MAGALHÃES JÚNIOR, R. Vida e Obra de Machado de Assis (4 volumes), Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Brasília: INL, 1981.
MEYER, Augusto. Machado de Assis. 3a ed. Rio de Janeiro, Presença/Instituto Nacional do Livro, 1975. ________ “O romance machadiano”, in: BARBOSA, João Alexandre (org.). Textos críticos: Augusto Meyer. São Paulo: Perspectiva, 1986. ––––––– “De Machadinho a Brás Cubas”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, 2006, pp. 409-417.
PEREIRA, Lúcia Miguel, Machado de Assis (Estudo Crítico e Biográfico), 4ª ed. São Paulo, Gráfica Editora Brasileira Ltda., 1949.
SCHWARZ, Roberto. Ao vencedor as batatas - forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro, 4ª edição. São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1992. Um Mestre na Periferia do Capitalismo/Machado de Assis. São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1990. Duas Meninas. São Paulo, Companhia das Letras, 1997. ______ “A viravolta machadiana”. In: Novos Estudos Cebrap, 69, julho de 2004, pp. 15-34. ______ “Leituras em competição”. In: Novos Estudos Cebrap, 75, julho de 2006.
SOUSA, José Galante de. Bibliografia de Machado de Assis, Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura/ Instituto Nacional do Livro, 1955. Fontes para o estudo de Machado de Assis, Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura/ Instituto Nacional do Livro, 1958.
TERESA – revista de literatura brasileira 6/7. São Paulo: USP, Editora 34, Imprensa Oficial, 2006.

Bibliografia específica sobre os romances

Ressurreição
SCHWARZ, Roberto. Ao vencedor as batatas. CALDWELL, Helen. O Otelo brasileiro de Machado de Assis, pp. 17-42. SANTIAGO, Silviano. “Jano, janeiro”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, pp. 429-452.

Memórias Póstumas de Brás Cubas e a segunda fase
MEYER, Augusto. “De Machadinho a Brás Cubas”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, pp. 409-417. ROUANET, Sergio Paulo. “A forma shandiana: Laurence Sterne e Machado de Assis”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, pp. 318-338. SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo: Machado de Assis. FACIOLI, Valentim. Um defunto estrambótico – análise e interpretação das Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Nankin, 2002. BOSI, Alfredo. “Brás Cubas em três versões”. In: Teresa – revista de literatura brasileira 6/7, pp. 279-317.

Dom Casmurro
CALDWELL, Helen. O Otelo brasileiro de Machado de Assis. SANTIAGO, Silviano. “Retórica da verossimilhança”. In: Uma literatura nos trópicos. 2a. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, pp. 27-46. GLEDSON, John. Machado de Assis: impostura e realismo – uma reinterpretação de Dom Camurro. SCHWARZ, Roberto. “A poesia envenenada de Dom Casmurro”. In: Duas meninas, p. 7-41. BOSI, Alfredo. “O enigma do olhar”. In: Machado de Assis: o enigma do olhar, pp.7-72. PASSOS, Gilberto Pinheiro. Capitu e a mulher fatal – análise da presença francesa em Dom Casmurro. São Paulo: Nankin, 2003.

Esaú e Jacó
GOMES, Eugênio. “O testamento estético de Machado de Assis”. In: Machado de Assis – Obra Completa, vol. 3. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, pp. 1097-1120. BAPTISTA, Abel Barros. “Autor defunto”. In: A formação do nome: duas interrogações sobre Machado de Assis. Campinas: Editora da Unicamp, 2003, pp. 135-160. EULALIO, Alexandre. “O Esaú e Jacó na obra de Machado de Assis: as personagens e o autor diante do espelho”. In: Escritos. Campinas, Ed. da Unicamp; São Paulo, Ed. Unesp, 1992, pp. 347-365. GLEDSON, John. “Esaú e Jacó”. In: Machado de Assis: Ficção e história, pp. 161-214.